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7/7/2008 - Conjuntura
Especialista defende mais aperto no crédito

Fonte: DCI

O ex-diretor de Normas e Autorizações do Banco Central (BC) entre 1994 e 1997, Alkimar Moura, afirmou ao DCI que o aperto monetário iniciado em abril, com duas elevações da taxa básica de juros (Selic), é insuficiente para conter a disparada da inflação e que o BC deveria elevar a alíquota dos depósitos compulsórios cobrados dos bancos brasileiros como forma de restringir a expansão do crédito no Brasil.

Moura argumenta que uma das raízes do atual quadro de pressão inflacionária, o "choque" de preços das commodities no mundo inteiro, intensifica a inflação no País.

"A demanda doméstica aquecida amplifica a inflação, e a elevação da taxa de juros não vai resolver esse problema sozinha. É preciso utilizar outros instrumentos de política monetária: um deles é atuar via crédito do sistema bancário com a elevação do compulsório", avaliou Moura, que atualmente é professor de economia monetária da Fundação Getúlio Vargas.

O depósito compulsório obriga bancos e instituições financeiras a depositarem no sistema de pagamentos do BC parte de suas captações em depósitos à vista ou outros títulos contábeis.

Esta taxa é de 45% no Brasil, ou seja, a cada R$ 100 depositados em um banco, R$ 45 vão para o caixa do BC como forma de controlar o dinheiro que circula na economia.

Pesado

Para a economista-chefe da Bradesco Asset Management, Ana Cristina Gonçalves da Costa, os compulsórios atuais já são um dos principais obstáculos a uma oferta maior de crédito no País, equivalente hoje a pouco mais de 36% do Produto Interno Bruto (PIB). A mesma relação é superior aos 100% nos EUA.

"O crédito é algo positivo e seu ritmo de expansão está dentro do recomendado. Nossa estrutura de compulsório já é bastante pesada. O Banco Central já está bastante vigilante e agindo antecipadamente com o aumento dos juros para não deixar a inflação sair do controle", destacou Costa.

Paulo Tenani, economista-chefe do UBS Wealth Management, aponta que a ampliação do compulsório vem em segundo lugar enquanto ferramenta aliada à elevação da Selic para combater a inflação. "Em primeiro lugar o governo deve pensar na política fiscal [corte de gastos]."

Já para Roberto Luis Troster, ex-economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), um eventual aumento do compulsório levaria os bancos a reajustar a cobrança de spread (diferença entre o custo de captação de recursos no mercado e o aplicado ao cliente). "[o compulsório] É mais um imposto cobrado das instituições", critica.

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